quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Entre os anos de 1894 e 1930, o presidente da República foi eleito pelos paulistas barões do café num mandato, e no outro pelos pecuaristas mineiros.Era a chamada política do café com leite, viabilizada pela hegemonia da oligarquia cafeeira paulista na época e que garantiu a formação de uma economia agrícola praticamente monoexportadora no país.


Em 1929, a quebra nos mercados acionários do mundo provocou uma forte queda nos preços internacionais das commodities. "O Brasil era fortemente dependente das exportações de café, e tinha uma enorme dívida externa, que precisava ser financiada com essas vendas.


É nesse cenário de grande depressão que nasce  em Teresina (PI), Francisco Melo filho de José Pereira de Melo e dona Raimunda Melo. A infância toda na roça, hoje são  fortes lembranças. 

Quando levantava cedo para ir a capoeira   juntar animal ( jumento) e madeira. Eram dez irmão, hoje só restam  4 ele, como irmão mais velho e três irmãs. Levantava as 5 horas da manhâ para ir a escola e como lanche levava uma espiga de milho. Como moravam no campo as ida à escola eram longas caminhadas na terra seca.

Em 1942, mudou-se com a familia para a cidade, pois o pai havia trocado a casa do campo por barraco na cidade. 

                         "Lembro bem eramos agregados na fazenda de um professor em 1929, houve a seca. Eu lembro da primeira roça do papai. Lembro da primeira melancia que comemos, quase morro afogado com um pedaço. Aos doze anos mudamos para Teresina, o papai trabalhava com carroça, fazia frete. Nessa época começamos a frequentar a Escola Domingos Jorge Velho, hoje o local abriga o Memorial Zumbi dos Palmares. Comecei a trabalhar na maioridade, com pouco estudo. Mas logo casei "obrigado" com uma moça. Tivemos dois filhos e, o casamento durou 4 anos".A guerra de 1942 a 1945 mexeu com todos nós. acompanhei o naufrágio do navio, soldados correndo fugindo da guerra".


O 25º Batalhão de Caçadores foi o palco principal das operações militares em Teresina, juntamente com o QCG da Polícia Militar, à época situado nas imediações da praça Pedro II. A intensa propaganda de guerra comandada pelos Aliados afetou os teresinenses de tal maneira que participar dos combates passou a ser uma questão de honra, principalmente após a criação da FEB (Força Expericionária Brasileira).
O litoral piauiense era bastante visado pelos submarinos alemães. Os estrategistas de Hitler viam na região o local adequado como esconderijo após os ataques às embarcações brasileiras nas costas nordestinas. A infinidade de pequenas ilhas e a entrada do rio Parnaíba eram tidas como favoráveis para a estratégia.(www.180graus.com).


Em Teresinha , a familia Melo morou na única rua principal em uma casa de palha.Havia rumores que um delegado por nome Vila Nova provocava incêndio nas casas. 


Quando já rapaz feito Francisco Melo embarca num trem para o Maranhão, depois arranja uma passagem num cargueiro e viaja no porão rumo ao Estado do Pará. Ao chegar em Belém, por não ter onde morar, passa a noite na rua "perambulando". E amanhece na porta de uma igreja.

                "  Nordestino tem espirito nômade, ao 18 anos cai fora.Naquela época sem trabalho, sem lugar para morar. Em Belém procurava ficar em locais com muita gente assim frequentava o Ver o Peso. Observando o comércio, tive a intuição de fazer alguma coisa para  adquirir uma renda. Vendia peça de elástico, grampo pra cabelo. Com o dinheiro comprei um copo de alumínio e passei a gravar nomes (pura intuição), a ferramenta era um aro de guarda-chuva. Lembro-me de quando criança saia com um carvão na mão riscando o chão, trabalhei em olaria, fazendo tijolo, telha, atividades de construção. Nisso peguei habilidade com as mãos. E gravar copos de aluminio , fazer boneco de borracha para mim era fácil.

Em Belém, Francisco Melo se dedica as artes, conhece professores artistas plasticos como Ruy Meira,Benedito Melo,Leonidas Montes,Paulo Ulisses que o ajudam a projetar  sua carreira de artista. Na sua trajetoria artística tem na decada de 60 sua grande participação no 2º Salão de Artes Plasticas da Amazonia.


"A minha preparação foi ver esses artistas trabalhando".

Mas para o artista Francisco Melo manter sua familia, precisou trabalhar como "marreteiro" vendendo pente,escova. Até se tornar um comerciante profissional  com um pequeno empreendimento na rua 7 de setembro bairro cidade Velha em Belém.

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